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Avaliação do potencial de contaminação cruzada de produtos alimentícios por sacolas de compras reutilizáveis. Parte 1
29/07/2010 .Introdução
Acredita-se que a maioria das doenças transmitidas por alimentos se origina em alimentos preparados ou consumidos nos domicílios (van Asselt et al., 2008). A contaminação cruzada dos alimentos durante a manipulação é um dos fatores que levam a essa estatística. Contaminação cruzada ocorre quando os microorganismos causadores de doenças são transferidos de um alimento para outro. Por exemplo, carne crua é freqüentemente contaminada com bactérias de origem alimentar, tais como Salmonela e Campylobacter. Mesmo que o cozimento de tais alimentos geralmente destrua estas bactérias, elas podem ser transferidas para outros alimentos, que poderão ser consumidos crus, ou contaminar as mãos dos consumidores e irem diretamente para a boca, resultando em infecção. A transferência pode ocorrer por superfícies como tábuas de corte, bancadas de cozinha e pelas mãos. Sacolas reutilizáveis para o transporte de mantimentos da loja para casa se tornaram populares nos últimos anos. Uma vez que estes sacos são reutilizados muitas vezes, e potencialmente utilizados para várias finalidades, a possibilidade de contaminação dos produtos alimentícios, bem como das mãos do consumidor existe.
.O objetivo deste projeto foi avaliar o potencial de sacolas reutilizáveis de causar contaminação cruzada dos alimentos transportados em sacolas reutilizáveis. O projeto foi dividido em três fases:
• Determinar a ocorrência de bactérias, e bactérias que causam risco à saúde, em sacolas de compras reutilizáveis (fase 1)
• Determinar o potencial de contaminação microbiana cruzada em sacolas de compras reutilizáveis (fase 2)
• Avaliar e recomendar os procedimentos necessários de lavagem / higienização para descontaminação das sacolas de compras reutilizáveis (fase 3)
.Materiais e Métodos
.Coleta e amostragem das sacolas
.As sacolas de compras foram coletadas de consumidores que freqüentavam mercearias da área da Baía de São Francisco, grande Los Angeles e Tucson, Arizona. No total, 84 sacolas foram coletadas (25 Los Angeles, 25 em São Francisco e 34 em Tucson) de cada localidade. Todas, com exceção de algumas (4), eram tecidas em polipropileno. Os indivíduos foram entrevistados sobre o uso das sacolas, armazenamento e procedimentos de limpeza. Além disso, quatro sacolas novas, não utilizadas, adquiridas em mercados locais, e quatro sacos plásticos novos também foram testados.
.Ensaios de detecção e identificação bacteriana
.As amostras foram coletadas com esponja com bastão para amostragem (Sponge-stick® 3M Corporation, St. Paul, MN) passada em todo o interior da sacola. Três a quatro ml de líquido foram obtidos a partir da esponja, apertando-a em um saco plástico.
.A contagem de bactérias heterotróficas totais foi determinada por placas de diluição de amostras em água peptonada tamponada e repicagem em meio R2A (Difco, Sparks, MD). Este meio é projetado para melhorar a recuperação de bactérias danificadas. As placas foram incubadas por cinco dias em temperatura ambiente e as colônias contadas.
.Coliformes e Escherichia coli foram identificadas, através da adição de um ml do extrato obtido da esponja em 99 ml de meio Colilert (IDDEX, Westbrook, ME) e a inoculação em um sistema Quantray ou Simplates (IDDEX, Westbrook, ME) e incubação durante uma noite a 37 oC. Coliformes e E. coli foram determinados utilizando uma tabela de número mais provável (NMP) fornecida pelo fabricante. A identificação foi realizada através da diluição de amostras positivas em Agar MacConkley (Difco), selecionando colônias de diferentes morfologias e fazendo subculturas em Trypticase Soy Agar (Difco). As bactérias foram então identificadas com tiras de teste APIE20 (bioMérieux, Durham, NC).
.A tentativa de isolamento de Salmonela foi feita através da inoculação do extrato obtido do esfregaço em 9 ml de água peptonada tamponada e incubação durante 24 horas a 35 º C e, em seguida, foram feitas subculturas em meio Rappaport-Vassiliads (Difco) mantidas a 35 °C durante 24-48 horas. As amostras positivas foram repicadas tanto em Agar Hektoen quanto em Agar XLD (Difco) a 35 oC durante 24-48 horas.
A tentativa de isolamento de Listéria foi feita através da inoculação do extrato obtido do esfregaço 9 ml em meio UVM, que foi incubado a 30 °C por 24-48 horas. A amostra foi, então, adicionada a caldo Frasier e incubada a 35 ° C por 24-48 horas. O caldo foi então semeado em placas L mono (Bio-Rad, Chicago, IL) para o isolamento de Listéria.
.Avaliação do crescimento bacteriano nas sacolas estocadas
.Para avaliar o potencial de crescimento bacteriano nas sacolas reutilizáveis armazenadas, frango cru e carne foram esfregados, à mão com luvas estéreis, e os fluidos resultantes coletados em um béquer. A solução foi então enriquecida com cerca de 106 de Salmonela typhimurium de uma cultura de 12 horas. Ela foi, então, adicionada amostras de 8 por 7 cm cortadas das sacolas reutilizáveis e colocadas em um saco Ziploc®. Metade das amostras foi processada de imediato, através do corte em seções de um cm2 e imersão em 10 ml de água peptonada tamponada, e colocação em um saco Stomacher, e processado por 15 minutos em Stomacher. A amostra foi então diluída e testada em meio XLD. O outro conjunto de amostras foi colocado no porta-malas de um carro por duas horas durante a tarde. Para determinar o potencial de crescimento das bactérias nos fluidos resultantes da carne, outro conjunto de amostras foi processado, mas a bactéria não foi adicionada. Este experimento foi repetido duas vezes em dois dias diferentes.
.O efeito da lavagem na redução de bactérias nas sacolas reutilizáveis
.Esta fase do estudo foi concebida para averiguar as condições adequadas de lavagem a fim de eliminar as bactérias de sacolas de compras reutilizáveis. Sacolas de polipropileno tecido reutilizáveis laváveis foram adquiridas em um supermercado local e preparadas com S. typhimurium suspenso em fluidos de carne, conforme descrito na seção anterior. O fundo do saco e os lados foram preparados através da adição de 5 ml, em gotas de 0,1 ml. As sacolas foram então colocadas para secar por 30 minutos. Uma sacola foi processada imediatamente após a secagem através de esfregaço, e conforme o processo descrito anteriormente. A amostra extraída da esponja com bastão foi testada diretamente em meio XLD, a 37 oC durante 24 horas, e as colônias negras contadas. Três sacolas foram lavadas com um ciclo de lavagem 30 minutos com lava-roupas doméstico normal (61,1), sem alvejante (Tide, Procter & Gamble, em Cincinnati, Ohio). As sacolas foram colocadas em secadora a 55 oC durante 20 minutos. Novas amostras foram obtidas das sacolas usando uma esponja com bastão.
.A fim de avaliar o efeito da lavagem à mão, outro conjunto de sacolas tratados da mesma maneira, foram lavados e enxaguados à mão em um balde de cinco litros contendo água, usando luvas de borracha, e deixados para secar durante a noite antes da coleta das amostras. Os sacolas foram colocadas na água de lavagem com sabão para lavar roupas (Tide, Procter & Gamble, em Cincinnati, Ohio ) (11,3 g em 10 L) e colocadas de molho por 30 minutos antes da lavagem à mão. O experimento foi repetido em duplicata.
.Resultados
.Perfil de uso das sacolas
.As entrevistas indicaram que metade das sacolas era usada mais um dia por semana (Figura 1) e a que a maioria era usada apenas para alimentos. Outros usos, além de compras de supermercado, incluíam carregar lanches e livros.
.As sacolas eram raramente limpas e lavadas. Apenas 3% dos entrevistados declararam ter lavado ou limpado alguma vez as sacolas reutilizáveis...